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  • Marilice Zanato

Qual o papel dos irmãos?


Dia desses, eu me recordei de uma conversa que tive com uma mãe há muito tempo atrás e resolvi contar para vocês.


Trata-se de uma mulher que teve um filho há alguns anos atrás e essa criança nasceu com uma deficiência caracterizada pelo funcionamento intelectual inferior à média e que demanda atenção e cuidados especiais.


Na nossa conversa, ela mencionou a grande vontade de ter um outro filho, mas estava com dificuldade para engravidar e estava muito frustrada por conta disso.


Quando pergunto a ela, o que motivava a intenção de ter mais um filho a resposta foi: "Para que esse irmão possa cuidar do irmão com deficiência, pois na minha ausência e do pai, pelo menos ele não ficará sozinho e desamparado".


Quando a gente ouve essa história, a gente acha tudo isso muito lindo, e até consegui me colocar no lugar dessa mulher, imaginando como será o futuro dessa criança, levando em consideração o nosso contexto social.


Mas eu não consegui deixar de perguntar: Como pode um irmão que nem nasceu já ter tanta responsabilidade?


Minha amiga ficou me olhando e disse que nunca tinha pensado a respeito.


Perguntei se esse futuro irmão, pode ser apenas o irmão mais novo e crescer junto, como filho mais novo, como um membro da familia que pertence e que só tem a obrigação e responsabilidade de pertencer e ser o irmão mais novo.


Talvez isso possa deixar essa tentativa de gravidez mais leve e com certeza o destino desse bebê (que um dia vai chegar) mais leve e com muito mais espaço para amor e reciprocidade.


Depois de um tempo, encontrei essa amiga novamente e foi tão gostoso ouvir dela que ela considerou o que havíamos conversado e começou a olhar o filho mais velho apenas como uma criança, perfeita como ele é e que um dia poderá ter um irmão para compartilhar a vida, para compartilhar os brincadeiras, as experiências e o que a vida tiver a oferecer.


Por isso, peço apenas para os pais que, as vezes, colocam os filhos na obrigação de cuidar de outros irmãos, que reflitam se isso pode não acabar sendo um peso e uma responsabilidade para os outros irmãos, uma vez que eles acabam saindo do lugar deles de filhos e assumindo responsabilidades que são dos pais.


Irmão é irmão, filho é filho e pais são pais.


Ninguém pode substituir ou fazer pelo outro.


Irmãos podem ser companheiros, se amar, brigar, brincar... mas nenhum deles tem responsabilidade de cuidar e fazer o que é responsabilidade dos pais. Ok?


Não prive se filho da história dele, pois fazendo isso, ele pode se perder do seu lugar, perder a sua força e inclusive perder o seu lugar em relação ao que ele deseja fazer com a própria vida, pois pode soar que a vida do outro é mais importante e significativa que a dele e isso pode causar uma sensação de vazio, de não ser suficiente e de não ser importante em relação aos outros membros da familia.


Todo mundo tem o seu lugar na familia e isso é certo! Certo como é.


Marilice Everton Zanato

Psicóloga e Facilitadora em Constelação Familiar

Contato: 11-9-6989-0331



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Ele tem o objetivo de informação e reflexão e não substitui o processo psicoterapêutico.
 

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