Buscar
  • Marilice Zanato

Transtorno alimentar - Minha história


Quando a pandemia começou a vida estava normal e de repente tudo se transformou e tivemos que nos adaptar a nova realidade.


Cada pessoa nesse mundo teve a vida alterada por conta do que aconteceu e cada um teve que se virar do seu jeito.


Não tenho o que reclamar, a vida é boa e sempre foi, porém de alguma maneira eu não tinha me dado conta que algo estava errado e acabei procurando uma nutricionista em Junho de 2020.


A minha intenção era começar a me alimentar de maneira correta, já que eu nunca fui a master chef em criatividade gastronômica. E eu estava começando a sofrer de problemas de memória e cansaço que foram reestabelecidos uma parte graças a reeducação alimentar.


Porém com o passar do tempo, e as sessões com a nutricionista eu não tinha me dado conta e ela acabou falando a seguinte frase: "Marilice, me parece que você está desenvolvendo um transtorno alimentar" e depois veio "Compulsão".


Fiquei um tempo pensando e na verdade isso sempre esteve presente na minha vida.


Então buscamos reforços e acabou virando um trabalho com a Nutricionista, A Psicóloga e a Homeopata. Em Maio chegou ao ápice e entramos com Endocrinologista e medicação porque o corpo não estava acompanhando a parte comportamental.


Cada pessoa tem um motivo para passar por isso.... E não se trata de uma escolha ou falta de força de vontade.


Algumas pessoas acabam indo para as drogas, bebidas, cigarros, pornografia, jogos, compras.... Não importa, e isso faz parte de ser humano.


Algumas pessoas devem estar pensando: "Nossa, uma psicóloga com problema assim, então ela nem deve ser tão boa assim para ajudar as pessoas".


Antes de ser psicóloga eu sou humana, gente de carne e osso que tem emoções e sentimentos e tem suas questões a serem trabalhadas como qualquer outra pessoa. Mas isso não me impede de trabalhar com psicologia e constelação familiar.


Mas eu to vindo aqui, porque a minha indignação vai para pessoas que acham que tudo isso é frescura e falta de controle.


A gente fala para as pessoas que por conta do acompanhamento, não está pronto para ter oferta de alimentos (no meu caso doces) com livre demanda e as pessoas ficam rindo e oferecendo ainda mais comida como se isso fosse engraçado.


É a mesma coisa que falar para uma pessoa que tem problemas com drogas e está em tratamento:"Pára com isso, pode cheirar mais um pouquinho"


Uma vez eu atendi uma pessoa que frequentava o AA e estava em acompanhamento por conta de consumo de álcool e na hora que ele passou perto de alguns amigos eles fizeram o convite: "Ei cara, vamos tomar um cerveja hoje, tá calor e a gente merece"; Mano... que bosta é essa? Os amigos sabiam da história dele.


Como tem gente perversa e sem noção.

E isso é altamente e profundamente maldoso e é de tamanha ignorância que chega a ser estupido eu ter que escrever um texto como esse.


Mas possivelmente a quantidade de pessoas que passam por isso é enorme e não há vergonha alguma em falar sobre isso.


Então, se você está passando por isso, procure um profissional de sua confiança, olhe com carinho, se respeite, respeite a sua história e tenha paciência, pois esse é um caminho que exige compromisso, delicadeza e muito amor, pois tem dias fáceis e dias difíceis.


Para as pessoas que tem qualquer problema de compulsão... Procure ajuda especializada.

Para as pessoas que não sabem o que falar para quem tem compulsão: Simplesmente calem a boca. Se não tem nada de inteligente para falar, cale a boca que fica mais bonito.


Marilice Everton Zanato

Aqui sou só eu mesma...